COLUNA DO XAVIER – CACOAL: O CLIMA, A SOCIEDADE E O PODER PÚBLICO…

*Por Francisco Xavier Gomes

CACOAL: O CLIMA, A SOCIEDADE E O PODER PÚBLICO…

O ano de 2024 ficou marcado, no estado de Rondônia, como a maior crise de seca dos últimos anos. Na realidade, os rondonienses provavelmente nunca tinham visto uma situação semelhante. Os fatores que causam esse tipo de clima são diversos, incluindo-se principalmente a ação humana, seja de maneira acidental ou criminosa, mas há uma parcela significativa da sociedade que prefere bater o pé e dizer que as tragédias resultantes do desequilíbrio causado pelo homem não existem. É claro que existem! E nosso estado foi vítima desse processo, no ano passado. Infelizmente, embora as lições de 2024 tenham deixado clara a necessidade da adoção de medidas administrativas que diminuam os efeitos da destruição, pouco ou nada aconteceu nesse sentido. É exatamente a ausência de políticas públicas que sugerem a possibilidade de uma seca mais dura, a partir deste mês de agosto. Mas ainda há tempo para fazer alguma coisa…

O município de Cacoal, um dos importantes polos da pecuária e produtos vegetais, como é o caso do café, viveu um cenário desesperador no ano passado. Com os pastos completamente torrados pela seca, as dificuldades para alimentar o gado eram gigantescas e criaram uma situação de incontáveis de prejuízos aos criadores. Claro que grande parte desses prejuízos acabou recuperada, a partir do momento em que as chuvas começaram a cair com intensidade. Mas, no caso das plantações, muita coisa ficou perdida. É possível que um bom sistema de irrigação fosse a solução mais adequada, mas nem todos os produtores possuem as condições necessárias para implementar um sistema de irrigação. Até mesmo para manter um sistema de irrigação em muitas propriedades não era tão simples, em 2024, porque as nascentes, rios, represas e outras fontes de água ficaram escassas. A seca foi causticante…

Os prejuízos econômicos e sociais causados pela crise climática não configuram um problema somente de produtores; o município também é prejudicado. Por isso, é possível a administração do município desenvolver políticas públicas para ajudar os produtores. Mas isto não aconteceu no ano passado, como também não há sinais claros de que alguma medida mais concreta tenha sido adotada. Em Cacoal, não houve nenhuma discussão sobre projetos de infraestrutura no setor rural voltados para amenizar os impactos de uma nova crise de seca em 2025. O fenômeno é muito semelhante ao que ocorre com as constantes enchentes que desabrigam centenas de famílias no período das cheias, mas que deixam de ser objeto de discussão, quando passa o período chuvoso. Todas as autoridades e vítimas ficam esperando o próximo inverno para fazer lamentações. A questão é a seguinte: depois que encerrou o período de enchentes, que medidas foram tomadas para prevenir problemas no ano seguinte? A pergunta é a mesma sobre o período da seca. Este ano haverá uma seca tão rigorosa como a do ano passado? O município de Cacoal e o estado de Rondônia não possuem uma resposta, porque não houve esse debate…

E, quando se fala que o poder público precisa se envolver com mais ênfase no assunto, o que se questiona é se a Secretaria Municipal de Agricultura ou a Secretaria Municipal de Meio Ambiente fizeram estudos sobre a viabilidade de implantação de sistemas de irrigação individuais ou coletivos. Um estudo nessa direção poderia indicar que tipo de iniciativa ou investimentos o município poderia fazer através da administração municipal, políticas de financiamento para os produtores ou outras medidas cabíveis. Nós vivemos na Amazônia. A realidade climática indica que, todos os anos, haverá problemas de enchentes e secas rigorosas. Isso não é eventual na região. Exatamente por isso, não se pode ficar esperando que a natureza resolva os problemas, os inevitáveis impactos. O raciocínio é aplicável para analisar também as situações relacionadas com o período chuvoso. Isso implica uma discussão permanente, envolvendo o poder público, o setor produtivo, a sociedade civil e demais instituições e segmentos.

Nesse contexto de inúmeros fatores, a participação da sociedade é muito importante e igualmente simples. O cidadão comum pode contribuir não jogando lixo nas ruas, não praticando queimadas ilegais, protegendo nascentes ou mananciais e cumprindo as normas de proteção ao meio ambiente. Fazendo isto, já será uma contribuição valorosa. A outra opção é poluir, descumprir as normas ambientais e suportar as inevitáveis consequências da reação da natureza… Tenho dito!!!

*FRANCISCO XAVIER GOMES
Professor da Rede Estadual e Jornalista

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