Amor em Família by Terra-Mar-e-Ar
Canada: A Mari Usque ad Mare*
Por Geraldo Gabliel
GRACIEL & YURI BEE
33, Rue Gault
Salaberry-de-Valleyfield, QC J6S 3R4
Montreal – Canada
Nesta aventura de viajar o mundo – um @giltrottamondos como eu, deixa o coração por mil mares – e traz consigo a essência da alma de anjos – seres galácticos que se apresentam em forma e aparência de gente, assim como a gente – inesquecíveis! Vivem entre nós… alguns, vão em trenós “dog sledding“– no Canadá – por exemplo. E é de Montreal – onde a língua oficial é o Francês – que Yuri Bee manda a Carta (ou seria 1 e1/2?) a Geh Latinus, contando-nos algumas curiosidades canadenses – uma carta que já vem com saudade embutida e, cheiro de estrada, de mar e aroma do ar dos pinhais (Pinus strobus – Picea glauca) e Bordos.
Yuri, brasileiro, nômade por escolha e pai por vocação. Eu o conheci na sonoplastia da Igreja Adventista em Seattle; e a Graciel – sua esposa – filipina, muito inteligente (minha Teacher de Inglês) na mesma Igreja – por ocasião da Pandemia – que interrompeu nosso curso. Que pena! Hoje eu estaria fluente no inglês… Suas crianças ainda não haviam nascido: Grace Bee, de 5 anos, americana de sotaque solto, e Lily Sofhie, de 3, canadense legítima com o “sorry” já afiado — completam, hoje, uma linda e simpática família cristã – uma certeza de que o Criador expressa todo o Seu amor na existência e cuidado da Família Humana.
Mudei para Orlando, e eles – em família – seguiram, em trailer para o Canadá. Desde então, viraram rodovia. O seu lar virou trailer. E o triller (RV/Motorhome) – virou mundo. A carta chegou cheia de novidades sobre a convivência em solo canadense, onde o frio é intenso, mas o acolhimento esquenta tudo.
Notícias a Bordo: Da Estrada ao Coração da Gente
Yuri narra o primeiro choque cultural: o aniversário da Grace Bee. Cantaram Happy Birthday e… nada de palmas! Os canadenses acham que o canto já cumpre o papel da celebração. As festas são simples: algumas atividades, poucos adultos supervisionando e muita brincadeira. – “É como brincar de verdade, sem roteiro”, escreveu ele.
Viajar por terras canadenses é como atravessar um cartão-postal em movimento. Eles cruzaram parte da Trans-Canada Highway, a maior rodovia do mundo, com mais de 7.600 km de extensão. E descobriram que a pontualidade por lá é quase uma religião. – “Cheguei 3 minutos atrasado pra um happy hour e parecia que eu tinha perdido o trem”, diz Yuri.
E eu pergunto: – What’s the weather like in Canada? – Em Snag, Yukon, já foi registrada a menor temperatura da América do Norte: –63 °C. O Canadá também tem a maior costa marítima do planeta e é coberto por florestas em metade de seu território. Lily já reconhece árvores pelo nome; Grace conversa com elas como se fossem colegas da escola – uma simbiose de bioluminiscência endógena (quê isso José?).
E sim, o “sorry” é real. Os canadenses pedem desculpas até quando você pisa no pé deles. – “Uma senhora se desculpou porque o vento fechou a porta antes de eu entrar”, relata Yuri, ainda surpreso.
No trailer – bem aquecido no inverno – os cafés da manhã são trilíngues e multinacionais (em breve estarão falando o francês também). Mas uma coisa une a todos: maple syrup. O xarope de Bordo (Aceraceae, Hippocastanaceae)¹ – do tronco daquela árvore de folha vermelha que está na bandeira canadense e, no seu pão… Grace Bee quer colocar syrup até no arroz – acho que isso tem algo a ver com seu DNA filipino – ou mitocondrial – herdado da mãe.
Além disso, o Canadá é um dos maiores produtores de queijo do mundo: são mais de 350.000 toneladas, e o cheddar é rei. Dizem que cada canadense consome mais de 10 quilogramas de queijo por ano! – Será que gostam de queijo mais do que eu mineiro? – Esta semana, em Minas Gerais, fui tentado a comprar um Queijo Canastra – caarooo! Acabei comprando 2 queijos cabacinhas – um normal e outro defumado (tipo cheddar) – os dois pelo preço de 1 Canastra… mas, quando eu ganhar na Mega Sena eu compro um Canastra. Ah se compro!?
A carta menciona também a Mossehead Brewery, em Saint John, que engarrafa 1.642 cervejas por minuto — só pra mostrar que o país sabe beber… mas, com moderação. Nas ruas, consumo de álcool é proibido. É bar, restaurante, ou nada feito. E as vinícolas? Existem e surpreendem. Produzem o delicado icewine, feito com uvas congeladas, ideal para acompanhar sobremesas e noites geladas.
Se há algo mais canadense que o double-double (café com dois açúcares e dois cremes), é o hóquei. O esporte é praticado até em lagos congelados no quintal. Mas não é só isso: o Canadá já sediou os Jogos Olímpicos três vezes e foi lá que nasceu o basquete — criado em 1891 por James Naismith, um canadense querendo manter os alunos aquecidos no inverno. Apesar disso, hóquei no gelo e lacrosse seguem como os esportes oficialmente nacionais. Grace Bee sonha em narrar uma partida… Lily prefere usar o disco como prato pra os seus cookies e cakes delicious!
E por falar em Natureza e Costumes Canadenses:
Yuri elenca a seguir algumas particularidades de Montreal e seu entorno…
- O urso-pardo é símbolo nacional, mesmo com 630 espécies de pássaros voando por aí.
- Os canadenses podem deduzir até comida de cachorro no imposto de renda.
- O famoso “eh?” no fim das frases é tão comum quanto nosso “né?” — e alvo de piadinhas dos americanos.
- A rixa com os EUA lembra Brasil e Argentina: os canadenses são vistos como educados demais, enquanto os americanos… bem, digamos que são mais “assertivos”.
E nos compartilha uma advertência: – “O que NÃO fazer no Canadá” – (já paguei mico por aqui!)
- Atravessar fora da faixa pode render multa.
- Não se faz sinal para o ônibus — ele para mesmo assim.
- Nada de beijo ou abraço ao cumprimentar-se.
- Respostas longas? Melhor evitar.
- Entrar de sapato em casa (ou consultório!) é falta grave.
- Perfume forte? Pode incomodar — e render olhares tortos.
- Mexer com criança na rua? Nem pensar.
- Papel higiênico vai no vaso, não na lixeira.
- Escada rolante? Fique à direita, ou leve um “excuse me!” educado e direto.
– “Cada quilômetro rodado por aqui é uma descoberta — sobre convivência, cultura, e como o frio pode ensinar mais do que o calor. O Canadá nos mudou sem mudar quem somos.”
E se o Canadá tem espaço, o trailer deles tem o coração escancarado. Que venham mais cartas. Que venham mais histórias…
“Au revoir, mon ami” – Geh Latinus
(Ah! Vou pedir à Graciel que nos conte algo sobre as Filipinas – em Tagalo)
Rolim de Moura RO – 03 de agosto de 2025. (41º Aniversário da Cidade)
* O lema canadense é a frase em latim A Mari Usque ad Mare, que significa “De mar a mar”.
¹ Acer – https://pt.wikipedia.org/wiki/Acer_(bot%C3%A2nica Acesso em 30 de julho de 2025.
https://www.kumon.com.br/blog/ingles1/cultura-canadense/ Acesso em 30 de julho de 2025.
https://www.hotcourses.com.br/study-in-canada/city-focus/35-fatos-e-curiosidades-sobre-o-canada/ Acesso em 30 de julho de 2025.
https://brasileiraemtoronto.com/coisas-para-nao-fazer-no-canada/ Acesso em 30 de julho de 2025.
https://www.mikix.com/11-coisas-que-eu-faco-no-canada-e-nao-faria-no-brasil/ Acesso em 30 de julho de 2025.
https://www.ef.com.br/guia-destinos/canada/cultura/
P.S.: Geh Latinus é cronista, viajante e colecionador de histórias que cabem em duas páginas e mil afetos. Escreve como quem conversa, e conversa como quem escuta. Suas crônicas são mapas afetivos de encontros improváveis — como o de uma família multicultural num trailer canadense. (Overview)