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O início de 2026 foi marcado por um diagnóstico severo sobre o país e sobre Rondônia. Na tradicional resenha de abertura do ano do Programa Leo Ladeia, o apresentador Leo Ladeia e o jornalista Carlos Araújo, editor do Expressão Rondônia, fizeram um balanço crítico de 2025 e traçaram projeções pessimistas para o novo ano. A conversa percorreu temas nacionais e locais, passando por crise institucional, escândalos em Brasília, fragilidade fiscal, instabilidade política no governo estadual e desafios estruturais em Porto Velho.
Logo na abertura, os dois alertaram que o ano eleitoral exigirá do eleitor “juízo e sabedoria”, enquanto a economia, segundo a análise apresentada, emite sinais claros de alerta para as famílias brasileiras.
Judiciário fortalecido e Legislativo enfraquecido
O ponto mais sensível do debate foi o desequilíbrio entre os Poderes da República. Ladeia e Araújo sustentaram que o modelo de freios e contrapesos formulado por Montesquieu deixou de funcionar de forma efetiva no Brasil. Ambos recorreram à expressão “Ditadura da Toga”, associada ao pensamento de Ruy Barbosa, para definir um Judiciário que, na avaliação deles, atua com excessos e sem mecanismos reais de contenção.
Carlos Araújo classificou 2025 como um ano “triste”, citando as condenações elevadas impostas aos envolvidos nos atos antidemocráticos. Para ele, o país convive hoje com a figura do preso por motivação política, enquanto ainda se aponta para a ditadura militar encerrada há quatro décadas. Leo Ladeia, por sua vez, foi ainda mais duro ao comentar decisões monocráticas do Supremo Tribunal Federal, especialmente as atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes, que classificou como desprovidas de humanidade e sinais de uma atuação que ultrapassa limites institucionais.
A crítica alcançou também o Congresso Nacional. Na avaliação dos dois comunicadores, o Legislativo abriu mão de seu papel central ao se submeter ao Executivo e ao Judiciário, impulsionado por interesses orçamentários. Do Mensalão ao Orçamento Secreto e às atuais emendas impositivas, o diagnóstico foi de um Parlamento que deixou de fiscalizar e passou a negociar poder.
Escândalos em série: Banco Master e INSS
Outro eixo da análise foi a sucessão de denúncias envolvendo a cúpula da República. Ladeia citou reportagens da jornalista Malu Gaspar que apontam conexões entre autoridades, familiares e operações ligadas ao Banco Master, instituição envolvida em grave crise financeira. No mesmo contexto, ambos destacaram o escândalo das fraudes no INSS, ainda em fase de apuração.
Para Carlos Araújo, “a República inteira está com a cintura atolada” nesse caso, indicando que o alcance das investigações pode ser amplo. Ladeia reforçou o tom ao mencionar a presença de ministros e ex-ministros em estruturas relacionadas ao banco, descrevendo o episódio como um dos mais graves da história recente.
Economia contraditória e recomendação de cautela
Apesar de reconhecerem os números positivos de emprego divulgados oficialmente, os dois apresentaram uma leitura cética da economia. O déficit fiscal elevado, a ausência de reservas robustas e a expectativa de novas formas de tributação em 2026 sustentam, segundo eles, um cenário de risco.
Carlos Araújo citou a retração do mercado automotivo no fim de 2025 como termômetro da escassez de recursos na economia real. Ladeia reforçou o alerta ao público: gastar menos, economizar mais e manter “o pé no freio”, pois o ano tende a ser difícil para o orçamento doméstico.
O “mandiocal” rondoniense e o racha no governo
Ao trazer o debate para Rondônia, o foco se voltou à crise interna no governo estadual. O estopim, segundo a análise, foi a demissão do então chefe da Casa Civil, Junior Gonçalves, ainda em 2024, seguida pela exoneração, em dezembro de 2025, de toda a equipe ligada ao vice-governador Sérgio Gonçalves, irmão do ex-secretário.
Ladeia avaliou que a composição da chapa foi um erro estratégico, ao escolher um vice cuja permanência gerou desconfiança e tensão política. Para ele, o desfecho pode ser desfavorável ao próprio governador Marcos Rocha, que corre o risco de chegar a 2026 sem mandato e sem candidatura viável. Carlos Araújo, por outro lado, destacou como contraponto positivo a nova safra de prefeitos no interior, que até o momento não apresentou escândalos relevantes.
Porto Velho: avanços pontuais e velhos problemas
Na capital, a análise foi equilibrada entre elogios e cobranças. A festa de réveillon promovida pela prefeitura recebeu avaliação positiva pela redução de custos e pela menor poluição sonora, vista como respeito a autistas e animais. Na área da saúde, foi anunciado o início das atividades do Hospital das Clínicas universitário a partir de junho, em parceria entre prefeitura, e outras entidades.
Também foi citado o projeto de reconstrução do Mercado do 1º Distrito, com licitação prevista para abril e início das obras ainda em 2026. Em contrapartida, Ladeia fez duras críticas à falta de manutenção de espaços históricos, como a área da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e o Mercado Central, alertando que obras sem conservação tendem à rápida degradação.
Eleições e incertezas
No encerramento, o cenário eleitoral foi descrito como indefinido. Em Rondônia, alguns nomes começam a se posicionar, enquanto outros permanecem no campo das especulações. No plano nacional, a possibilidade de um novo mandato de Lula é tratada com reservas, diante da idade e da pressão externa, abrindo espaço para nomes da direita como Tarcísio de Freitas, Ronaldo Caiado e Romeu Zema.
A síntese apresentada no programa foi clara: 2026 tende a ser um ano de tensão política, fragilidade econômica e disputas intensas, exigindo atenção redobrada da sociedade e maior responsabilidade das instituições.
