A Venezuela vive um novo e delicado capítulo de instabilidade política e social. Após a crise desencadeada por uma operação militar que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, o governo venezuelano iniciou uma ampla ofensiva repressiva com o objetivo declarado de conter reações internas, neutralizar opositores e reafirmar o controle do Estado.
Segundo relato de jornalistas estrangeiros no país, a condução do país passou a ser centralizada pela vice-presidente Delcy Rodríguez, que decretou estado de emergência por 90 dias. A medida ampliou os poderes das forças de segurança, autorizando prisões imediatas de pessoas suspeitas de apoiar ou difundir manifestações favoráveis à ofensiva estrangeira.
Milícias nas ruas e clima de medo
Desde então, moradores de Caracas relatam a presença constante de militares e de milícias civis pró-governo, conhecidas como colectivos. Armados, esses grupos passaram a patrulhar bairros, instalar pontos de controle e realizar revistas em pedestres, muitas vezes exigindo acesso a telefones celulares em busca de mensagens, imagens ou publicações consideradas hostis ao regime.
O clima na capital é descrito como de tensão permanente. Ruas antes movimentadas passaram a registrar circulação reduzida, enquanto manifestações públicas de opinião política praticamente desapareceram, diante do temor de detenções arbitrárias.
Jornalistas sob pressão
A repressão também atingiu diretamente a imprensa. Pelo menos 14 jornalistas e profissionais da comunicação, incluindo correspondentes estrangeiros, foram detidos nas primeiras horas após o anúncio do decreto. Embora a maioria tenha sido liberada ainda no mesmo dia, relatos indicam apreensão de equipamentos e verificação forçada de conteúdos armazenados em celulares e computadores.
Entidades de defesa da liberdade de imprensa alertam que a medida representa mais um retrocesso em um país já marcado por restrições severas ao trabalho jornalístico e pela criminalização de vozes dissidentes.
Continuidade do aparato de poder
Mesmo com a retirada de Maduro do centro do poder, figuras históricas do chavismo seguem exercendo forte influência. Entre elas está o ministro e dirigente político Diosdado Cabello, apontado como peça-chave na articulação do aparato de segurança e na coordenação das ações repressivas.
Analistas ouvidos por veículos internacionais avaliam que a ofensiva interna busca evitar fissuras no regime e conter qualquer tentativa de reorganização da oposição, em um momento de forte pressão externa e incerteza institucional.
Repercussão internacional
A escalada repressiva gerou reações de governos e organismos internacionais, que cobram garantias mínimas de direitos humanos, respeito à liberdade de expressão e proteção a civis. Há também pressões diplomáticas para que a Venezuela reveja alianças estratégicas e permita a atuação de observadores internacionais independentes.
Enquanto isso, a população segue vivendo sob um ambiente de vigilância e insegurança, em meio a um dos períodos mais críticos da história recente do país.
