Os QR Codes já fazem parte da paisagem urbana. Estão em postes, pontos de ônibus, muros, cardápios e bicicletários despertando a curiosidade de quem passa pela rua. No entanto, embora o gesto de escanear pareça simples e inofensivo, ele pode abrir caminho para golpes digitais cada vez mais sofisticados. Em vez de levar a serviços oficiais, muitos desses códigos escondem páginas falsas, aplicativos maliciosos e armadilhas criadas para roubar dados pessoais e bancários.

Para entender por que você não deve escanear QR Codes na rua, o TechTudo conversou um especialista, que alerta: “O risco de ler um QR Code na rua vai muito além do dispositivo; ele pode atingir toda a vida digital da vítima”. Confira
O que acontece quando você escaneia um QR Code malicioso
Escanear um QR Code aparentemente inofensivo pode abrir a porta para uma série de riscos digitais. O usuário pode ser levado a páginas fraudulentas que imitam serviços oficiais, induzido a baixar apps maliciosos ou até mesmo a fornecer dados pessoais sem perceber. O problema é que, ao contrário de um link tradicional, o QR Code não revela de imediato o endereço de destino, o que torna a avaliação prévia quase impossível.
Segundo o Tonimar Dal Aba, gerente técnico da ManageEngine na divisão de TI da Zoho Corporation no Brasil, muitas vezes o simples acesso já inicia tentativas de coleta de informações, como credenciais de login ou dados bancários. Ele explica que essas páginas se passam por sistemas legítimos de pagamento ou recarga de transporte, explorando a confiança do usuário.
“É um exemplo claro de como a engenharia social continua sendo um dos principais vetores de golpes digitais”, afirma Tonimar.
Golpes mais comuns usando QR Codes na rua
Entre os golpes mais recorrentes está a substituição de QR Codes originais por versões falsas, coladas sobre os legítimos em locais de uso cotidiano. Isso acontece em parquímetros, cardápios, bicicletários e totens de transporte público. O usuário acreditam que aquele código leva a um serviço oficial, mas na verdade é direcionado para páginas falsas que solicitam dados bancários ou pagamentos indevidos.
Outro esquema muito comum envolve o redirecionamento para aplicativos falsos. Esses softwares, disfarçados de ferramentas úteis, funcionam como espiões monitorando o uso do dispositivo, capturando senhas digitadas e acessando informações armazenadas no celular. Dal Aba ressalta que esse tipo de ameaça compromete tanto o aparelho quanto contas pessoais e corporativas. Ele observa: “O risco vai muito além do dispositivo; pode atingir toda a vida digital da vítima”.
Como identificar um QR Code suspeito
A primeira barreira contra golpes é a atenção. Antes de escanear, é importante verificar se o QR Code parece colado sobre outro, se está em um local improvável ou se não há identificação clara da empresa responsável. Esses sinais podem indicar adulteração. Após o escaneamento, o endereço do site deve ser analisado com cuidado. Páginas confiáveis utilizam HTTPS, indicado pelo cadeado no navegador, e não pedem informações pessoais inesperadas.
O especialista alerta que é preciso desconfiar de sites que pressionam para compras rápidas ou cobram taxas abusivas. Ele recomenda que, sempre que possível, o usuário acesse serviços diretamente pelo aplicativo oficial ou digitando o endereço manualmente. “Essa prática reduz significativamente a exposição a riscos”, reforça.
Outro ponto fundamental é confirmar o nome da empresa e os dados do recebedor, como CPF ou CNPJ, antes de efetuar qualquer pagamento. Pequenos detalhes podem ser a diferença entre uma transação segura e um golpe.
O que fazer se você já escaneou um QR Code suspeito
Caso o QR Code já tenha sido escaneado, a primeira medida é fechar a página imediatamente e evitar fornecer qualquer dado. Se informações pessoais ou bancárias já foram inseridas, é essencial trocar senhas e revisar acessos ativos.
Dal Aba recomenda ativar a autenticação em dois fatores, que adiciona uma camada extra de proteção às contas. Ele explica que, mesmo que uma senha seja comprometida, esse segundo fator dificulta o acesso não autorizado. Além disso, o banco deve ser avisado sem demora.
Outra medida importante é realizar uma verificação de segurança no celular e manter o sistema operacional e os aplicativos sempre atualizados. “Muitas atualizações corrigem vulnerabilidades exploradas por golpes digitais”, lembra o especialista, destacando que a prevenção continua sendo a melhor defesa.
