CONTOS E CRÔNICAS DO LUIZ
Luiz Albuquerque
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A MAÇÃ
Existem muitas frutas nativas dos diversos continentes da Terra. Como exemplo, da Europa veio a ameixa, o morango e a pera. Da Ásia a manga, a jaca, a tangerina. Da continente Americano do Norte são Morangos, Maçãs, Pêssegos. Já nas Americas Central e do Sul, com suas grandes florestas, é enorme a variedade de frutas nativas.
Sendo natural da Amazônia, fui criado comendo graviola, tucumã, pupunha, bebendo caldo do açaí, buriti, cupuaçu, entre tantos outros.
Todas as frutas que vinham de outros continentes e eram raras por lá há algumas décadas, hoje estão ao alcance das mãos em qualquer supermercado. Algumas até já são largamente plantadas por aqui mesmo.
Estre tantas frutas “importadas”, teve uma que deixou marca da minha infância: a maçã.
Acontece que, aí pela década de 1950, na cidade onde eu morava, a maçã era uma fruta rara e cara. Chegava como contrabando em navios vindos do exterior, sendo distribuídas em caixotes que, abertos, expunham as grandes e bonitas frutas de cor rósea-avermelhadas, embaladas individualmente num papel fino de cor arroxeada, com seu cheiro gostoso como um perfume suave de boa qualidade, tão diferente das frutas tropicais que faziam parte do nosso dia-a-dia, cujos cheiros eram fortes e tão marcantes.
Éramos quatro, as crianças. De tempos em tempos nossos pais recebiam um importante apoio financeiro enviado por nosso irmão mais velho que, ainda cedo, abriu mão de sua juventude para dedicar-se ao trabalho e, assim, ajudá-los na difícil batalha de dar melhor condição de vida aos mais novos, principalmente no que se referia aos estudos.
Assim, à cada período, minha mãe ia aos Correios para retirar o valor que o mano enviava através do Posta-restante, que é um sistema de envio de correspondência em que esta não é levada até o endereço do destinatário, ficando depositada no correio até que a reclamem. O dinheiro vinha dentro.
Aquele era, para os filhos, um dia de festa. Principalmente quando nossa mãe retornava com compras e o dinheiro tinha sobrado para ela trazer, junto às compras mais importantes, uma maçã para cada um de nós. Eram momentos únicos, raros, inesquecíveis.
Pois essa fruta, hoje de tão comum em nossa mesa que chega até a ser rejeitada, ainda me remete aos tempos que estávamos todos junto; eu, meus irmãos, meus pais.
Tempos maravilhosos de infância.