Genética miscigenada de brasileiros oferece pistas sobre vida longa e saudável

Da Redação — O Brasil pode ser chave para pesquisas globais sobre longevidade extrema, segundo estudo liderado pela geneticista Mayana Zatz, da USP, publicado nesta terça-feira (6) na revista Genomic Psychiatry. A pesquisa analisou dados genômicos de supercentenários brasileiros, incluindo o homem vivo mais velho do mundo, com 113 anos, e mostra que a miscigenação genética do país pode revelar mecanismos de resiliência ainda pouco conhecidos.

O estudo acompanhou mais de 160 centenários, incluindo 20 supercentenários validados, de diferentes regiões do país, com trajetórias sociais e ambientais variadas. Entre eles está Inah Canabarro Lucas, freira que chegou a 116 anos. Muitos mantêm lucidez e autonomia, mesmo vivendo em locais com acesso limitado a serviços de saúde.

Famílias longevas indicam fatores genéticos e ambientais
Casos de longevidade familiar reforçam o papel da genética. Uma participante de 110 anos tem três sobrinhas com idades entre 100 e 106 anos, sendo que a mais velha foi campeã de natação aos 100. Esses agrupamentos ajudam a separar efeitos genéticos de fatores ambientais e sociais.

Características biológicas e imunidade
O estudo identificou padrões biológicos marcantes: manutenção da atividade do proteassoma, autofagia preservada e expansão incomum de células T CD4+ citotóxicas, normalmente associadas a células CD8+. Durante a pandemia de Covid-19, três supercentenários brasileiros sobreviveram à infecção antes da vacinação, apresentando altos níveis de anticorpos e sinais de resiliência imunológica.

Diversidade genética brasileira como diferencial científico
Bases genômicas internacionais são dominadas por populações europeias, limitando a identificação de variantes protetoras. A miscigenação brasileira, formada por portugueses, africanos, europeus e japoneses, concentra milhões de variantes únicas ainda pouco exploradas. Entre os homens supercentenários mais longevos do mundo, três são brasileiros, e entre as mulheres, as brasileiras superam países populosos como os Estados Unidos.

Próximos passos
A equipe da USP pretende sequenciar o genoma completo dos participantes, derivar linhagens celulares e realizar análises multiômicas. O objetivo é identificar variantes genéticas protetoras com potencial para medicina de precisão. A pesquisadora Mayana Zatz defende maior inclusão de populações miscigenadas em estudos internacionais, ampliando a diversidade científica e reduzindo desigualdades na pesquisa global.

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